Terceira idade ou melhor idade?

Você já ouviu a expressão “melhor idade”? Tenho certeza que sim. E estou certo de que você sabe que essa “melhor idade” se refere à terceira idade, ou, em bom português, à velhice propriamente dita.  
O caso é que a maioria das pessoas faz de tudo para evitar a velhice. A gente faz cirurgia, coloca botox, levanta o peito, arrebita a bunda, enche os lábios, tira as rugas, e nesse cabo de guerra contra a “melhor idade” essa expressão cai no ridículo. Que melhor idade é essa, que desperta essa fuga desenfreada?  
A verdade é que todo mundo eufemiza o que lhe convém.  
Por isso pegamos uma realidade prática da qual não gostamos nem um pouco e lhe damos um toque macio, usando expressões bem coloridas. Expressões, como por exemplo, “melhor idade.” 
Não tenho raiva de eufemismos, desde que eles não me façam de idiota. Suavizar as coisas é uma coisa, mas tentar empurrar goela abaixo uma falácia é outra bem diferente. E essa coisa de melhor idade é, em minha opinião, uma falácia.  

Porque eu penso assim? Porque ninguém quer envelhecer, ora. E porque ninguém quer envelhecer? Por motivos óbvios, que não detalharei aqui. Só que a velhice é uma fase natural da vida, e assim como todas as outras fases ela também possui suas virtudes. Experiência, maturidade e bom senso são só algumas delas. Há mais, eu sei. Mas há o outro lado também. O lado que as pessoas não gostam muito, por sinal.   
Eu sei que a expressão “melhor idade” tem boas intenções. Só que ela bate de frente com a dura realidade que é, muitas vezes, envelhecer. Eu conheço muita gente que não vai se adaptar bem a esta fase, ainda que se tente convencê-las de que essa é a “melhor idade”. Pois pra essas pessoas, definitivamente não é. 
Por isso encarar a realidade como ela de fato é ainda é a melhor forma de se viver bem. O otimismo, claro, deve ser figurinha carimbada em todas as fases da vida. E isso exige disciplina, esforço e  disposição. Porque ser feliz, acredite, é uma questão de treino diário, de transpiração mesmo. A gente escolhe ser feliz e luta pra chegar lá. Não é a toa que vive bem quem vive de peito aberto, de forma otimista, com sinceridade gritante e feliz consigo mesmo. Quando a pessoa é assim, bem resolvida,  não fica se apegando a certas frases ou expressões de efeito pra tocar a vida. Ela toca e ponto final.
E como ela consegue fazer isso? Vivendo sempre  no auge. Afinal, o auge de uma vida não está restrito a uma fase específica. Não mesmo. O auge de uma vida é construído no dia-dia, nos relacionamentos, nas reações. 
O auge tem como alicerce a auto-aceitação. E quem se aceita, esteja certo, vive por cima. Vive voando. Vive no auge. 
Glenio Cabral é administrador de empresas e pós-graduado em Gestão de Pessoas.  Também é idealizador e colunista do site www.cafecristao.com