Atores naturais da Chapada participam de Festival Internacional de Artes Cênicas

festival internacional

Com uma programação internacional, nacional e local de ações artísticas e formativas, ocorreu na última semana, entre os dias 22 a 27 de outubro, a 12ª. Edição do Festival Internacional de Artes Cênicas da Bahia – FIAC Bahia. O evento contou com a presença de três atores naturais da Chapada Diamantina que foram ao Festival trocar experiências visando adquirir novos conhecimentos para aperfeiçoar as atividades culturais que desenvolvem na região.

Os atores chapadenses estiveram entre 14 artistas e agentes culturais do interior que foram selecionados pela Fundação Cultural do Estado da Bahia (FUNCEB) para participarem do Programa de Intercâmbio Artístico-Cultural em parceria com o FIAC Bahia. Os atores participaram de diversas oficinas e atividades formativas, e também, assistiram a diferentes espetáculos e leituras dramáticas do Festival.

festival internacional1
Reunião dos artistas e agentes culturais do interior com a equipe da FIAC| Foto fornecida por Helen Carregosa

Representando a Chapada Diamantina estiveram presentes Daniela Albuquerque que faz parte do “Circo Redondo” do município de Ibicoara, Gabriel Santos do Grupo Cultural “Lamparinas do Sertão” do município de Seabra, e Helen Carregosa do Grupo de Teatro “Bom’nartes” do município de Bonito. Helen e Gabriel participam da Caravana de Teatro Itinerante que ocorre a cada seis meses na Chapada Diamantina, coordenadas pela COC – Comissão Organizadora das Caravanas, e RCCB – Rede Cênica e Cultural da Bahia, com o apoio de parceiros e apoiadores locais.

De acordo com informações da organização do evento, o festival contou com artistas, curadores, gestores e agentes culturais de Alagoinhas, Belo Horizonte, Buenos Aires, Lausanne, Campinas, Salvador, Itacaré, Rio de Janeiro, Londres, São Paulo, Paris e Vitória da Conquista, entre outras, formando um grupo original de mais de 30 cidades com uma programação de vários espetáculos de teatro, dança, circo e performance, residências artísticas, oficinas (para crianças, jovens e adultos), festa, leituras dramáticas, uma instalação, intercâmbios e lançamento de livro, e também, a 6ª edição do Seminário Internacional de Curadoria e Mediação em Artes Cênicas.

Segundo Gabriel Santos o evento foi maravilhoso, sair do interior para ir à capital e poder ter um olhar de longe para a sua comunidade, para o trabalho qual desenvolve, foi essencial para ele. “Foi muito bom para me enquanto artista, enquanto pessoa. Participamos de diversas atividades artísticas desde que chegamos aqui. Esta edição agora está sendo nova, é uma edição de diversas linguagens, não só o teatro, mas diversas artes cênicas”.

festival internacional2
Reunião dos artistas na FUNCEB | Foto fornecida por Helen Carregosa

Para Helen Carregosa o evento foi muito proveitoso, foi como um processo de reciclagem, pois segundo ela, é preciso estar sempre estudando, e também, no evento ocorreram teatros com estruturas que no interior eles não tem acesso. “Aqui a gente tem acesso a modos de fazer que na nossa cidade a gente não tem, lá não temos com quem fazer essa troca, então os nossos trabalhos acabam sendo um pouco mais simples, nessa questão de estética e palco, por exemplo”. No festival ela teve acesso a novas ideias, novas maneiras de realizar o trabalho qual vem desenvolvendo na região.

“Foi muito rico, cada espetáculo acrescentou muito, tanto nesse sentido da estrutura do espetáculo, quanto no debate, na discussão que ele traz para nossa vida, fazer a gente pensar, enfim, coisas novas”, argumenta Helen.

Inclusão

m dos aspectos que chamou a atenção dos atores da Chapada no FIAC Bahia foi a inclusão de surdos e cegos nas atividades culturais. Segundo eles, as pessoas com deficiências auditivas e visuais tiveram uma preparação, houve fones de ouvido para os cegos, interpretes de libras para os surdos, tudo para que eles pudessem entender o que estava sendo apresentado no evento. “São trabalhos de inclusão maravilhoso e inspirador para a gente”, afirma Helen.

“Então quando a gente ver essa acessibilidade toda, a gente fica imaginando e sonhando como isso seria possível, diante de todas as nossas dificuldades, diante de tudo que a gente enfrenta.” Argumenta Gabriel.

Segundo os atores, se eles já lidam com discriminação e outros casos, com coisas simples, agora, eles irão pensar em como resolver um problema que é a questão da acessibilidade.

Ao perguntar sobre o que o Festival Internacional de Artes Cênicas acrescentou em suas vidas, eles responderam:

Gabriel Santos:

“É muita gente boa juntos, são muitos artistas que me faz ver a dimensão da arte. A função da arte na sociedade é muito grande, tem um poder muito transformador e assim eu percebo que é um objetivo de quem está aqui participando, transformar de alguma forma, com ações pequenas, fazer grandes transformações. É lindo”.

Helen Carregosa:

“Algo que a gente vai levar, também, é a questão da gente se perceber enquanto um agente cultural, um agente produtor de arte, porque quando a gente está aqui, nas discussões, o pessoal sempre enfatiza isso, que a gente faz acontecer. Então estamos nos percebendo como agentes culturais e o tamanho da potência que tem o nosso trabalho de caravanas itinerantes, o trabalho dentro da RCCB, dentro dos nossos grupos de teatro e o quanto isso pode transformar a nossa sociedade, a nossa comunidade, o nosso ao redor”.

Segundo eles, o fato de serem do interior e terem grupos que desenvolvem trabalhos “mais simples”, não os tornam inferiores aos grupos da capital. “Nos também somos gestores culturais e temos a ideia no coração de que também somos isso”. 

Essa foi a primeira vez que Gabriel e Helen participaram do festival, porém outros colegas integrantes das caravanas itinerantes de teatro já participaram em edições anteriores.

Agora, os artistas da Chapada Diamantina que participaram do festival terão trinta dias para mostrarem um retorno, que será: desenvolver uma ação, uma contrapartida em prol do teatro de suas cidades e ou região, como uma roda de conversa, um debate, ou uma oficina.

(Por: Romilson Joaquim/ Folha da Chapada)